Eu não quero uma resposta, nem que você chegue e me abrace depois. Também não quero falsidade para comigo. Só quero que você reflita sobre umas coisas. Sobre o quanto eu mudei nesses últimos tempos.
Sei que não sou o melhor filho do mundo – para falar a verdade – estou longe disso. Já estive envolvido com homossexualismo, com pessoas que me faziam mal, que só queriam que eu fizesse parte do mundo macabro qual eles estavam. Já menti muitas vezes para você, já enganei a senhora, já falei coisas que não deveria ter dito. Mas enfim, as pessoas, por mais tarde que seja, mudam. E eu acho que eu mudei, e para muito melhor.
Eu sei que você ainda continua tendo muitas decepções comigo. Só te causo angústia e tristeza. Pode ser que eu não esteja dando valor à vida que tenho, mas, de uma certa forma, eu tenho tentado mudar, mostrar a você que sou outra pessoa, que estou dando valor na minha vida, no sacrifício que meu pai fez e ainda faz para me dar tudo que quero.
Há algum tempo eu tinha parado de fumar por completo, estava feliz, mas às vezes me batia uma vontade horrível, é como se o cigarro me acalmasse, me deixasse mais tranqüilo. Eu sei que na verdade ele só causa o mal às pessoas, e, por mais que eu saiba disso tudo, eu ainda sinto vontade de fumar. Você, como ex-fumante, sabe como é difícil conviver com isso, essa vontade horrível, é como se você fosse escravo do tabaco. Sei lá, acho que a senhora deveria fazer um esforço – apenas um esforço – para tentar entender meu lado.
Eu sinto muita vontade de estar livre do cigarro, de poder conviver com pessoas fumantes e não ter contato nenhum com ele. Aspiro por isso. E eu tenho tentado muito parar. Muito mesmo! Não sei mais o que fazer, mas eu viciei muito rápido nessa droga, e o pior, mesmo sabendo que eu estou me matando aos poucos. Por isso eu peço que me compreenda, que me ajude, que me dê forças, que converse comigo. Eu preciso de você neste momento. Castigar-me, me privar de realizar os meus sonhos não vai funcionar, a senhora é a prova viva disso. Quando você me colocou de castigo aquela vez, eu fumava ainda mais.
Eu confesso que hoje eu fumei um cigarro, não vou dizer que foi uma recaída, não seria hipócrita a esse ponto. Eu fumei porque eu realmente estava com muita vontade. Aquela incontrolável. Sabe? Não sei se seria o certo considerar essa situação como uma recaída.
Só quero que você saiba que eu estou tentando, cada vez eu tenho fumado menos. Digamos que agora eu compreenda o valor que a minha vida tem. Quero dar o valor que eu nunca dei nela. Ser saudável? Não ter vícios? Quero isso mais que tudo. Peço-te, tenha paciência comigo, seja compreensiva e menos radical, não me prive dos meus sonhos. Você não sabe o quanto isso me machuca, me corrói. Cada ameaça feita é como se um sonho muito importante para mim estivesse indo por água abaixo. Não vou permitir que o cigarro me prive de ser o que eu quero.
Mãe, eu te amo tanto, a senhora não sabe o quanto me machuca vê-la triste comigo pelas burradas que tenho feito. Mas, ao mesmo tempo em que me machuco, eu me revolto por você não ver o quanto eu mudei para vê-la orgulhosa de mim. A cada incompreensão sua – para mim – é como se você esquecesse o que passou e visse que estou errando somente agora, sabe?
Eu vou continuar mudando, vou combater essa vontade que me dá de fumar cada dia mais, e com mais intensidade. Juro-te. Perdoa-me por ser fraco, por eu ter esse desvio de personalidade. Tenho considerado o cigarro como o segundo pior erro da minha vida. Um erro difícil de sair, mas que eu quero tanto.
Em breve você ainda vai me ver feliz e vai orgulhar-se de mim novamente, como aquelas vezes em que eu era inocente e ainda não conhecia este mundo tão cruel e frio.
Só quero que você não desista de mim, que continue me amando, mesmo com todos os meus erros. Eu te amo demais!
Obs.: Estou me expressando por carta, porque eu acho que as palavras, junto ao meu sentimento, fluem melhor.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário